sábado, 4 de junho de 2011

Esta é uma cópia de uma matéria postada no Blog Do Euller, na sexta feita, 03 de junho de 2011, mostrando a posição dele (e de muitos de nós) com relação ao  descaso dos governos com o piso salarial do magistério brasileiro... Posto aqui este artigo do companheiro  como manifesto de apoio às suas ideias.

E o Governo Federal? Até quando vai se omitir?



E o Governo Federal? Até quando vai se omitir?

Que os mandatários estaduais e municipais já deram sobejas provas da irresponsabilidade e do não compromisso com uma Educação pública de qualidade, isso não constitui novidade nem agora, nem antes. É notório o pouco caso dos governantes estaduais e municipais para com os educadores, que sobrevivem com salários miseráveis e em péssimas condições de trabalho. Minas Gerais, entre os três estados mais ricos da Federação, talvez seja o melhor dos piores exemplos deste descaso dos governantes para com a Educação e as demais áreas sociais.

Mas, a pergunta que não quer calar é: e o governo Federal? Até quando vai se omitir? Até quando fará ouvidos de mercador em relação à realidade da Educação em todo o Brasil?

Durante a campanha eleitoral a presidenta Dilma prometeu pagar um salário melhor para os professores de todo o Brasil, inclusive reconhecendo, em entrevistas, que o piso do MEC era uma vergonha, e que ela aceitava o desafio de reajustar o valor daquele piso (na época em R$ 1.024,00) para algo muito maior.

Passada a eleição, Dilma ainda ensaiou um discurso em defesa de maior investimento na Educação pública e na valorização dos educadores. Mas, na prática, o que fez o governo federal até agora?

Primeiramente, mandou cortar 3 bilhões da Educação no orçamento público, para garantir a política neoliberal dos governos FHC e Lula, de manter o superávit primário para pagar altos juros aos banqueiros e credores da dívida pública brasileira. Anualmente, mais de 100 bilhões de reais são gastos com esses credores, que representam algumas poucas dezenas de famílias abastadas.

Em segundo lugar, o governo federal enviou para o Congresso Nacional um PNE - Plano Nacional da Educação - que prevê investimento de 7% do PIB até o ano de 2020. Ou seja, não bastasse o percentual do PIB aquém do necessário, ainda joga para 10 anos o investimento deste baixo percentual, o que constitui uma falta de compromisso com a Educação e também um estelionato eleitoral, já que a candidata Dilma anunciou publicamente que daria prioridade à Educação na sua gestão.

Por último, na própria questão do piso salarial do magistério, o governo federal tem sido omisso, com a ausência de uma cobrança efetiva dos estados e municípios para que cumpram a lei, impondo punição aos governantes infratores. Além disso, não oferece o devido suporte técnico e financeiro para que estados e municípios mais pobres possam pagar o piso. E finalmente, é omisso também em relação ao valor do piso, que já deveria ser reajustado, senão pelo valor do DIEESE, que seria o mais razoável, pelo menos para o valor do piso da CNTE.

Mas, essa omissão do governo federal encontra a parceria da igual omissão das entidades sindicais, a começar pela CNTE, que é na prática uma autarquia do MEC. Os demais sindicatos estaduais, igualmente, seja pela ligação que têm com o partido que domina o governo federal, ou por questões político-eleitorais regionais, o fato é que não demonstram interesse numa grande mobilização nacional.

Reparem que neste momento várias greves estaduais e municipais dos educadores sacodem o país. Esta mobilização não toma uma dimensão nacional, como deveria ser, expondo a omissão tanto dos governos estaduais e municipais, quanto a do governo federal. A luta dos educadores é pulverizada, como já denunciamos aqui antes, isolada em cada canto, dependendo unicamente da força e do contexto de cada região. Em Santa Catarina, os colegas começam a arrancar pequenas migalhas do desgoverno de lá; no Rio Grande do Norte, a mesma coisa; na Paraíba os colegas tiveram que voltar ao trabalho, após a decretação da ilegalidade da greve, como aconteceu em Minas em 2010 - só que nós nos recusamos a voltar e continuamos em greve.

Não fosse a repercussão causada pela combativa professora Amanda Gurgel, com a sua fala de oito minutos que foi parar na Internet e obrigou a mídia a divulgar nacionalmente a realidade da Educação, e a nossa realidade seria ainda pior.

Estamos diante, infelizmente, de governantes, nos três níveis - federal, estadual e municipal - sem qualquer compromisso com a Educação pública de qualidade. São governantes que gastam bilhões com obras públicas que beneficiam a poucas pessoas, com empreiteiras e banqueiros que financiam as campanhas eleitorais e depois se apropriam dos orçamentos públicos. E infelizmente, estamos órfãos de entidades sindicais capazes de organizarem uma grande mobilização nacional para arrancar os 10% do PIB já, o reajuste já do piso para todos os educadores, e a exigência do pagamento já do piso em todos os estados e municípios, além da conquista de um bom plano de carreira nacional dos educadores.

Claro que não podemos desanimar e esperar sentados que nossos direitos caiam do céu. Mas, devemos dizer em alto e bom tom que a nossa luta é contra a omissão tanto do governo estadual, como se verifica em Minas, cujo governo vergonhosamente não cumpre a Lei do Piso, quanto também do governo federal, que tem recursos para investir na Educação e na Saúde, mas vem priorizando os gastos com a minoria rica do Brasil e do mundo.

Que tenhamos a coragem, ao organizar a nossa greve em Minas, de fazer também este chamamento aos educadores de todo o Brasil, para que estejamos unidos e saibamos organizar um grande movimento nacional para arrancar os nossos direitos.

FESTA JUNINA

Todos os anos na Escola Estadual Veríssimo Teixeira Costa, entre os dias 15 e 20 de junho, ocorre a Festa Junina, que já se tornou uma festa tradicional por aqui....
Este ano o evento acontecerá no dia 17 de junho (sexta feira), com quadrilha, comidas típicas e um bom arrasta pé.

Sintam-se convidados para o Evento!

Evento do ano de 2010

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Bullying

Retirei este artigo do Blog JOVENS APRENDIZES, da professora Luciana, relatando o que aconteceu durante uma de suas aulas de Língua Portuguesa na Escola Estadual Veríssimo Teixeira Costa, em Curral de Dentro:
Ata de ocorrência
No dia seis de maio de dois mil e onze, os alunos da turma do oitavo ano 2, turno matutino; da Escola Estadual Veríssimo Teixeira Costa e eu, (professora de português Luciana Renata Dias), reunimos para discutir sobre um problema que está afetando toda a turma e até mesmo a escola – o bullying. De acordo com os alunos Gilmar e Vitor, alguns colegas da sala os ofendem sem motivo chamando-os por apelidos pejorativos como “bola”, “goiaba”, “baleia”, “gay”, “tubi”, “sapatão”, “boiola” entre outros. Resolvi então comunicar o fato à Especialista de Educação Básica – Elizângela  e disse aos alunos que, se o problema persistisse, escreveria uma carta ao juiz da nossa comarca (Taiobeiras/MG) informando sobre o assunto e pedindo providências. Eu também disse que anexaria junto à carta, relatórios dos alunos que sofreram e sofrem bullying. Os alunos Daniel Márcio, Marcos Nascimento e Marcos Nogueira, arrependidos, resolveram se retratar pedindo desculpas ao colega Gilmar, que aceitou as desculpas. Outros, porém, não pediram desculpas, então eu disse a eles que seus nomes já seriam encaminhados ao juiz, caso repetissem o erro. De repente, a aluna Daniela é questionada pelos colegas porque no dia anterior (quinta-feira, dia cindo de maio de dois mil e onze) ela havia discriminado o aluno Vitor chamando-o de “sapatão”. A aluna Maria do Carmo disse que Daniela se exaltou ainda mais dizendo “se Vitor não fosse sapatão, seria gay”. Os colegas relataram que a colega Daniela gritava, chorava e saiu para fora da sala e disse para a aluna Amanda que estava muito nervosa e por isso seria capaz de furar Vitor com estilete e bateria no rosto de Maria do Carmo. Hoje também(dia seis de maio de dois mil e onze), Daniela apresentou um quadro agressivo de comportamento ao ser questionada sobre a necessidade que a mesma tinha de também pedir desculpas. Ela gritava que não pediria desculpas porque sofre bullying o tempo todo. Ela chorava descontroladamente, dizendo que queria sair da sala porque os alunos estavam discriminando-a também. A aluna foi então levada pela professora para a sala dos professores e depois encaminhada para o serviço pedagógico.
“Entendendo numa situação dessa, que a escola, a família e a sociedade, precisa tomar posição e combater a todo custo, qualquer forma de preconceito. Não queremos apontar culpados, mas buscar uma solução para que todos possam encontrar na escola, o suporte necessário para uma formação técnica competente, crítica, mas, acima de tudo, humana.” Prof.a Luciana.
Nada mais havendo para tratar no momento, encerrou-se a reunião e a presente ata será lida por mim e assinada por todos os alunos do oitavo ano dois. 
Ela ainda afirma em seu blog:
               " Em nossa escola, o bullying é uma prática que vem se tornando cada dia mais comum, e por isso, nós educadores, precisamos manter uma postura de repúdio a qualquer tipo de violência. O bullying existe e deve ser combatido!"

Se todos os profissionais tomassem a atitude que ela tomou, provavelmente esse tipo de atitude não seria considerada tão normal e corriqueira...